quarta-feira, 31 de outubro de 2012

JURAMENTO OU COMPROMISSO?



JURAMENTO OU COMPROMISSO?

"Não jures de modo nenhum, nem pelo ceu, que é o trono de Deus..."
Mateus, V. 34



Nos chamados ritos maçônicos teístas o juramento substitui o compromisso adotado pela Maçonaria Moderna.
Esta prática de jurar vem dos antigos maçon (operativos) e o juramento, conservado na maioria dos ritos contemporâneos, tem permitido um constante ataque à Maçonaria. Apesar das variantes, permanecem as ameaças e criticas a este sistema.
Na segunda edição de 1730 da Masonry Dissected de Samuel Prichard temos o seguinte:
“Prometo e juro solenemente aqui na presença de Deus todo Poderoso e diante desta Respeitável Assembleia a qual reverencio, que manterei oculto e não revelarei nunca os segredos dos Maçons nem os da Maçonaria que me serão revelados, a não ser que seja para um verdadeiro e leal Irmão, depois da devida comprovação ou em Loja justa e perfeita na qual reunam-se os Irmãos e Companheiros. Ademais prometo não escrever, imprimir, gravar, [...] sobre madeira ou pedra, de tal maneira que qualquer vestígio de uma letra possa aparecer, permitindo que o segredo seja revelado de forma licita. Tudo isso sob a pena de ser [...] minha [...], meu [...] pelo lado esquerdo para depois ser [...] duas vezes em vinte e quatro horas; que meu [...] seja reduzindo a [...] e espalhadas pelos [...] da Terra,  de tal modo que não reste a menor lembrança minha entre os Maçons. Que Deus me ajude.[1]
Esta forma teatral tinha por finalidade gravar no inconsciente do candidato as suas responsabilidades e deveres, numa época em que a prática civil e criminal assim o estabelecia.
No livro “Maçonaria – Um Estudo da Sua História”, o Irmão Frederico Guilherme Costa, afirma o seguinte:
“Na realidade, esta formula de juramento era exigida pelo Direito Inglês pelos idos dos séculos XVII e XVIII. O perjurio deveria ter queimadas as entranhas, atiradas ao mar, [...]”
O proprio James Anderson, na segunda edição das Constituições (1738), esclareceu o propósito das ameaças, deixando claro que a solenidade do juramento nada acrescentava à obrigação, ou seja, o juramento obrigava por si só, existisse ou não a penalidade.
Fica claro que o segredo e o juramento remontam à Maçonaria dita operativa, de acordo com os costumes profanos da época, atitude esta, continuada em 1717.
Quando se jura, está (se) invocando a Divindade como testemunha. Este juramento pode ser assertivo quando procura atstar a veracidade de uma declaração, ou promissório, quando atesta que alguém cumprirá uma promessa.
Parece ser um antigo costume adotado pela Maçonaria teísta jurar com a mão levantada:
Levanto minha mão ao Senhor, Deus Altissimo, senhor do céu e da terra.”
“Introduzir-vos-ei na terra que, com  mão levantada jurei dar a Abraão, a Isaac e a Jacó, e vo-la darei em possessão hereditária.”
“Na veradade, ao céu levanto a minha mão e digo: ‘Eu vivo eternamente’.”
Felizmente não adotamos o juramento solene prestado com a mão do promitente sobre os órgãos genitais do outro, considerado a fonte da vida, um objeto sagrado:
Disse Abrãao ao servo mais antigo de sua casa, o administrador de todos os seus bens: ‘Põe, te rogo, a tua mão debaixo da minha coxa, e jura-me pelo senhor, Deus do céu e da terra...’”
Sentindo Israel avizinhar-se-lhe o tempo de morrer, chamou a si o seu filho José e disse-lhe: ‘Se encontrei favor aos teus olhos, põe a tua mão debaixo da minha coxa, e promete usar comigo de benevolência e fidelidade; por favor, não me sepultes no Egito’.”
Em Mateus, finalmente, é posivel encontrar a ideia de que numa sociedade regenerada não há lugar para juramentos, pois a palavra de um homem é suficiente.
Vejamos o que diz Meteus:
Ouvistes mais que foi dito aos antigos: ‘Não jures falso, mas cumpre os juramentos feitos ao Senhor. Eu porém, digo-vos que não jureis de modo nenhum, nem pelo ceu, que é o trono de Deus, nem pela terra que é o escabelo dos seus pés, nem por Jerusalém, que é a cidadedo Sumo Rei. Nem jures pela tua cabeça, porque não podes tornar branco ou preto um só cabelo. Seja, pois, o vosso falar. Sim, sim, não, não, porque tudo o que passa disto procede do maligno’.
Destarte, se o proprio Livro da Lei Sagrada nos apresenta uma interpretação clara sobre a impropriedade do juramento, por que não adotar, plenamente, o compromisso (obrigação) como recomenda a Maçonaria Moderna?
Mais contundente ainda são os argumentos eticos a favor do compromisso no lugar do juramento, pois a ideia de comprometer se liga ao conceito existencialista de filosofia. Pode ser aplicado em um sentido amplo, como fundamento de toda existencia humana e, igualmente, num sentido mais estrito, como elemento fundamental do filosofo.
Estes dois conceitos estão interligados, pois não poemos dissociar o interesse do filosofo da existencia humana. Comprometer-se filosoficamente significa vincular intimamente a teoria com a pratica.
Recusar assumir o compromisso significa opor-se ao solicitado, recusando-se, destarte, a aceitar o ajuste, o polimento.
Ninguem deve se comprometer a menos que tenha compreendido a totalidade das proposições.
Apenas a titulo de ilustração (exemplo histórico), devemos nos lembrar de que a Constituição dos Estados Unidos da America do Norte nasceu do "Grande Compromisso da Convenção de Filadelfia”, e não de um juramento prestado por seu notáveis ideologos, e ninguem duvida de que a America do Norte era uma terra de virtuosos protestantes.

BIBLIOGRAFIA:
Benimele, José Ferrer, Masoneria, Inglesia e Ilustration;
Biblia Sagrada, São paulo, Edições Paulinas, 2005;
Costa, Frederico, Maçonaria: Um Estudo da sua História;
Prichard, Samuel. Dissected Masory





[1] Samuel Prichard, Masonry Dissected, being an universal and genuine description off all branches, from the Original to the present Times, as it delivered in the constituted regular Lodges, both in City and Country, Londor, Byfield and Haw Keswit, 1730, p. 12.

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